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ROLHA: cortiça ou rosca?

Alguns brasileiros ainda mantêm certa aversão às rolhas de rosca (ou screwcap), mas quais são os fatos? Quais as vantagens de uma e de outra?

Texto delícia da nossa sommelière Camilla Guidolin!

Existe uma tradição de 400 anos das rolhas de cortiça, que com certeza justifica que qualquer outro meio de fechamento do vinho seja inicialmente criticado.

Mas devemos entender que nem sempre a rolha de cortiça seja a melhor opção.

Se o objetivo do enólogo for entregar ao consumidor um vinho mais próximo possível do que se obteve após engarrafamento, o vedante mais indicado para este efeito é a rosca, ou screwcap, que proporciona um fechamento hermético, bloqueando a evolução oxidativa do vinho*.

*(saiba mais no post “Vinho evoluído é diferente de vinho oxidado” que postaremos em breve)

Por outro lado, se o objetivo for permitir evolução com uma micro oxigenação do vinho, a decisão será vedá-lo com uma rolha de cortiça natural (melhor ainda se for maciça, não aglomerado) que permite uma mudança lenta com o tempo.

Vantagens da rolha de cortiça:

É 100% natural, 100% biodegradável, proveniente da casca do sobreiro.

Curiosidade: a retirada da cortiça é feita a cada nove anos. Cada sobreiro demora 25 anos até poder ser descortiçado pela primeira vez e só, a partir do terceiro descortiçamento (aos 43 anos), a cortiça tem a qualidade exigida para a produção de rolhas. O sobreiro é a única árvore cuja casca se autorregenera, adquirindo uma textura mais lisa após cada extração. Pode ser descortiçado cerca de 17 vezes ao longo de uma longevidade que é, em média, de 200 anos. É a árvore símbolo de Portugal.

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Vantagens do ScrewCap:

Permite a degustação do vinho tal como o produtor o concebeu, pois a passagem de oxigênio é bem restrita.

Evita qualquer contaminação (a cortiça é um elemento natural e pode ter problemas, como o bouchonné).

Facilidade de armazenamento das garrafas, pois as mesmas podem ser conservadas em pé (a cortiça precisa estar sempre úmida, então as garrafas devem ser mantidas deitadas).

Tem um custo menor, o que reflete no valor do vinho (o que não significa que os vinhos com esse fechamento sejam apenas os baratos).

Além de ser reciclável e fácil de abrir.

Sua única contraindicação é para fermentados que sejam de longa guarda. Porém os vinhos de guarda (que se beneficiam com o envelhecimento em garrafa), representam menos de 10% do total das garrafas produzidas no mundo.

Curiosidade: o primeiro screwcap para vinho foi criado pela empresa Stelvin, em meados da década de 60, sob o comando do diretor de produção da vinícola australiana Yalumba, em parceria com uma empresa francesa.

O screwcap ganhou espaço no mundo dos vinhos à custa da imprudência de alguns corticeiros, os quais no final da década de 90 (boom mundial da produção de vinhos) inundaram o mercado com cortiça de má qualidade, com problemas de tricloroanisóis ou TCA, o causador do aroma de mofo ou bouchonné.

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Saiba mais:

Rolha sintética

Chegou ao mercado no início dos anos 1990.

Vantagens:mais barata que a cortiça, permite que o vinho seja guardado de pé, pode ser colorida e, o principal, não transmite o TCA.

Desvantagens: lado estético (para os tradicionalistas) e o fato de sua durabilidade não ser comprovada. Normalmente usa-se este tipo de fechamento em fermentados de menor preço e com uma expectativa de vida de menos de cinco anos. Cerca de 20% das garrafas de vinho é vedada com rolhas sintéticas.

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Sommelière Camilla Guidolin

Sócia da Cavatappi Enoteca e Bruschetteriatappi

12 Janeiro 2018